Escrito em parceria com Canteiro

Todo pessoa habita um lugar. A forma de habitar de cada cultura e extrato social varia muito, porém há um elemento universal que costura todos: o lar é a primeira referência de cada indivíduo. É o porto seguro, carregado de significado e afeto. É de onde a pessoa parte renovada e retorna ao fim de todos os dias.

A morada adequada permite lazer, estudo, planejamento, saúde mental e física, além do convívio entre família e amigos. Uma casa com muitos habitantes por cômodo, sem luz e ventilação, com vazamentos, mofo, goteira e sem a divisão adequada dos ambientes causa danos à saúde, assim como a desestruturação psicológica dos seus moradores, afetando sua esfera social e profissional.

Em um Brasil diverso, há muitas maneiras de habitar. Estes meios se diferenciam não somente segundo a região do país, mas também de acordo com a escala intraurbana. Em comunidades ou bairros ricos, a configuração física das moradias está diretamente ligada a fatores como as necessidades da vida cotidiana e os interesses imobiliários.

É significativo entender como cada povo vive e porque cada habitação possui a forma que tem: os indígenas habitam ocas; os ribeirinhos, palafitas; caiçaras, casas de pau a pique. No Sul, há casas de madeira, com fogão a lenha para esquentar; enquanto no Norte e Nordeste é preciso ventilação e beirais largos para proteger do Sol e da chuva.

A partir destas semelhanças e diferenças desdobram-se muitos assuntos que podem ser transformados em aprendizagens. Além dos aspectos culturais vistos nos diferentes lares, o aprofundamento pedagógico no tema da habitação, como um saber do território, pode redesenhar aspectos históricos, sociais e econômicos da formação de cada bairro e apresentar aos educandos novas facetas da discussão urbana.

Outra forma de propiciar discussões é por meio do mapeamento da própria casa, tanto sob a ótica do espaço quanto da cultura, ou seja, dos costumes, comidas e número de pessoas que a povoam. Esta pesquisa permite a consciência crítica do habitar e o conhecimento das distintas realidades urbanas, gerando empatia entre cidadãos.

É possível ainda explorar os sentidos de público e privado, interior e exterior, apropriação e cuidado do espaço construído, sensação de segurança e abrigo. A compreensão destas gradações pode transformar a relação entre as crianças, jovens e demais cidadãos em ambientes coletivos – desde praças, ruas e até escolas.

Assim, todos podem contribuir para o reconhecimento e sistematização da prática deste saber. Por ser uma necessidade e um direito de todos, a habitação é embrião da luta política de muitos movimentos sociais. 

PERGUNTAS DISPARADORAS

  • Que relação podemos estabelecer entre habitação e saúde?
  • Como a habitação pode ou não ser  parte da cidade, a depender da sua localização?
  • De que maneira podemos fomentar o debate sobre a importância de se viver em uma moradia adequada?
  • Você vive em algum lugar que foi “pensado” ou “desenhado” antes de ser construído? Quem “projetou” a sua casa?
  • Todas as casas da cidade são como as que vemos aqui por perto? Será que as famílias têm outros hábitos que não conhecemos?