O conceito de gênero, ao contrário de “ideologias” que são sustentadas por crenças, está baseado em critérios científicos de produção de saberes sobre o mundo. Nesta perspectiva, diz respeito a processos históricos e culturais que classificam e posicionam as pessoas a partir de uma relação sobre o que é entendido como feminino e masculino e as diferenças percebidas entre os corpos. Assim, se articula a diversos mecanismos de reprodução de desigualdades no território.

Debater identidade de gênero e orientação sexual é, portanto, um saber na medida em que apoia o entendimento sobre a diversidade do território, sobre como lidar com o outro, além das múltiplas identidades que coexistem em um indivíduo.

A comunidade LGBTQ+, por exemplo, não pode ser vista como um corpo homogêneo na urbe: para além da sexualidade, esta comunidade congrega questões raciais, de classe, origem, entre outras. É esta interseccionalidade que determina a vivência e relação do indivíduo nos territórios.

O gênero como saber é uma janela para conhecer e reconhecer os outros a partir das diferenças e não apesar delas.

PERGUNTAS DISPARADORAS

  • Qual o entendimento de feminino e masculino no território e como esta definição se articula com as desigualdades de gênero?
  • Como violências e preconceitos de gênero são combatidos ou perpetuados no território?
  • Como a diversidade sexual é vista?
  • As mulheres ou LGBTQ+ da comunidade vivenciam o território como um espaço da liberdade? Circulam e se expressam nele com segurança?