O Brasil é formado por muitas culturas: as dos povos originários indígenas, as dos imigrantes e também as das populações que, de modo compulsório, foram obrigadas a vir para cá, como as africanas. Essa convergência de encontros, seus atritos e costuras, gerou conhecimentos únicos e particularmente brasileiros, que sobrevivem de múltiplas formas a depender do território onde residem e resistem.

Na prática das curas e rezas tradicionais, essa mescla é intensa: a ancestralidade e a diversidades dos cultos dos diferentes povos que formaram o país se materializam em práticas como o plantio de ervas para curar algum mal-estar, os cânticos entoados para santos católicos ou divindades Iorubás ou em festividades.

Curas e rezas são o modo como cada indivíduo ou comunidade se relaciona com a sua saúde e corpo, em uma vinculação clara ou não com a religião. Para curar ou erradicar males, os corpos brasileiros, a depender da cultura onde estão inseridos, buscam remédios, danças, cantos, rezas, plantas medicinais ou exercícios.

O desenvolvimento da medicina não impede que inúmeras pessoas recorram a erveiros, benzedeiras, curandeiros e rezadeiros para resolver patologias físicas ou espirituais. Essas mulheres e homens herdaram seus conhecimentos de pais, tios e avós, girando uma roda de saberes geracionais que depende da oralidade e memória para sobreviver.

O reconhecimento do território e do que ele pode ofertar em matéria natural também faz parte do saber local das curas e rezas: muitos dos encantamentos, remédios ou benzimentos fazem uso de plantas como alfazema, manjericão e arruda, além de outros substratos só obtidos na natureza. Não é à toa que muitos mestres mantêm pequenas hortas em suas casas ou estão historicamente localizados em espaços remanescentes da mata original.

Ao usar ou procurar curas e rezas tradicionais, o indivíduo entra em contato com sua ancestralidade, com os conhecimentos de seus antepassados e comunidade, além de acessar culturas, identidades e histórias. Ele também experimenta um tradição nem sempre encontrada na medicina normativa: para se concretizarem, curas e rezas precisam do contato com o outro, da subjetividade, de soluções coletivas para mazelas individuais.

PERGUNTAS DISPARADORAS

  • Como as pessoas do território cuidam da saúde? Quais são seus hábitos?
  • Como solucionam os males físicos que enfrentam?
  • Quais as relações da saúde com as condições ambientais?
  • Além da medicina tradicional, quais as tradições e remédios utilizados? Quais as receitas?
  • Há relações entre as rezas e as plantas ou remédios populares?