Escrito em parceria com a Red Ocara

O brincar é a forma de expressão própria das infâncias e um ato de liberdade e autonomia. Por meio da brincadeira, a criança usa sua imaginação e os mais diversos recursos para descobrir-se e para criar oportunidades de conhecer o mundo, resolver problemas e interagir com as pessoas e elementos que a circundam. As descobertas podem acontecer em qualquer lugar e a brincadeira deve ser incentivada entre pessoas de qualquer idade.

A relação de uma comunidade ou território com o ato de brincar, bem como a importância que sua prática assume no cotidiano, diz muito sobre sua população, uma vez que a cultura infantil reflete, por imitação e recriação, o contexto cultural de seu povo. 

Apesar de sua importância para o desenvolvimento das crianças, muitos ainda consideram o brincar como uma atividade secundária ou, até mesmo, uma “perda de tempo”. Além disso, em determinados contextos, a brincadeira depende da autorização do outro para acontecer, em especial nas grandes cidades onde, não raro, se coíbe o brincar em espaços públicos. 

Questões como estas contribuem para uma infância que brinca cada vez menos e, portanto, para o aumento do número de crianças sedentárias, com problemas de saúde, como sobrepeso e excesso de agitação. São diversos os estudos internacionais que mostram que o brincar livre seria o melhor remédio para muitos desses casos.

Diante desses desafios, é preciso entender que o brincar não acontece apenas em lugares estruturados. Brincar na cidade deve significar a liberdade para interagir com seus espaços e elementos, inclusive, aqueles vistos como obstáculos (construções, ruas e etc.).

É importante também que as brincadeiras sejam incorporadas pelas propostas e atividades pedagógicas como caminho para o aprendizado, reiterando que movimento é aprendizado e aprendizado é movimento.

Incentivar saídas a espaços públicos e criar trilhas com elementos lúdicos nos trajetos casa-escola também são exemplos de iniciativas que valorizam o brincar e o território.

PERGUNTAS DISPARADORAS:

  • Se pudesse resgatar um sentimento suscitado pelas suas memórias das brincadeiras da infância, qual seria?
  • Qual era o lugar onde aconteciam suas brincadeiras favoritas?
  • Se não houvesse playgrounds na cidade, como poderiam brincar as crianças de hoje (estando ciente de que as ruas e espaços públicos são muito diferentes)?
  • O que podemos fazer, dentro de uma proposta educadora, para que as crianças brinquem nos espaços urbanos?
  • O brincar precisa de brinquedos? Do que precisa?

SAIBA MAIS

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