Escrito em parceria com Pé de Feijão

A alimentação é um conjunto de hábitos e culturas de uma população que se concretiza na comida que está na mesa. Portanto, é caracterizada não somente pelos pratos típicos ou nutrientes de cada alimento, mas também por uma manifestação da diversidade sociocultural dos territórios.

A alimentação como saber é incorporada quando a relação entre indivíduo e alimento ganha significado, isto é, quando se pensa neste último também como símbolo de uma cultura e engrenagem socioeconômica.

Isto porque, em todo o percurso que o alimento faz, do plantio até o consumo, a alimentação informa sobre as relações das pessoas com o território e sua história. Quando e como aquele alimento chegou ao Brasil? De que território veio? Quem produziu? Como foi produzido e chegou até aqui? E, por fim, para onde vai quando não é consumido?

Um olhar mais atento sobre a alimentação permite ainda compreender formas de viver e de se comportar de diferentes grupos sociais. Todas as pessoas relacionam-se com o alimento em seu cotidiano, apesar de alguns grupos terem laços mais estreitos como é o caso de agricultores, pecuaristas e cozinheiros.

Outra dimensão fundamental da alimentação é a memória afetiva. As receitas resistem ao tempo porque expressam momentos vividos junto a pessoas queridas. Replicá-las significa, então, recobrar sentidos e conexões que os alimentos carregam.

Para além das questões identitárias, aproximar as pessoas do alimento é essencial para que compreendam seu papel na saúde do corpo. Doenças crônicas como obesidade, diabetes, AVCs e infartos são, muitas vezes, consequência de uma má alimentação gerada pelo desconhecimento.

No entanto, se antes a importância da alimentação para o território aparecia com força nas bases da cultura local, hoje, esse saber é pouco valorizado em consequência da produção massificada, industrializada e pouco representativa.

Resgatar e fortalecer a conexão entre população e alimentação torna-se uma tarefa essencial. É preciso que os educadores se unam em defesa da comida, do plantio, do cozinhar e do conhecimento sobre a origem e destino dos alimentos a fim de estimular a melhora dos hábitos alimentares e o fortalecimento da cultura alimentar como repertório cultural.

Ensinar os estudantes sobre tradições, agrobiodiversidade, apresentando, por exemplo, milhos coloridos, cenouras roxas ou ainda discutir o papel da agricultura familiar e o impacto das monoculturas no meio ambiente são estratégias importantes para consolidar uma alimentação mais saudável e produzida de forma justa.

PERGUNTAS DISPARADORAS

  • Este alimento é originário do Brasil? De qual região? Se não, quando e como chegou ao País?
  • Quais são suas principais características?
  • Como foi produzido e chegou até a mesa?
  • Este alimento é representativo de qual cultura?
  • Qual seu significado no dia a dia das pessoas?
  • Este alimento te traz alguma lembrança afetiva? Qual?
  • Para onde vai quando não é consumido?
  • Ele é associado a algum tipo de celebração?
  • É possível encontrá-lo em todas as regiões do Brasil? E estações do ano?