publicado dia 09/11/2016

Como o brincar pode transformar o espaço público em um território educativo?

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Por Dalila Ferreira, com foto de abertura por Rodrigo Corsi, para a campanha Dia de Aprender Brincando

Uma Cidade Educadora é aquela que assume uma vocação formadora na vida dos cidadãos e orienta políticas, programas, espaços e agentes para a garantia do desenvolvimento integral de seus habitantes, com especial atenção às crianças.

“Quando falamos nas crianças, estamos assinalando que elas deveriam ser prioridade no planejamento urbano. Isto é, assegurar calçadas, praças, parques e bairros que atendam às necessidades de desenvolvimento da infância, entre elas, o brincar”, explica Raiana Ribeiro, gestora do Programa Cidades Educadoras, da Cidade Escola Aprendiz.

É necessário acompanhar como as cidades têm gerado oportunidades de aprender e brincar com suas crianças; como as escolas, enquanto equipamentos urbanos, estão suficientemente articuladas com seu território a fim de garantir experiências significativas fora da sala de aula; e como as cidades vêm criando ambientes seguros e criativos para que as crianças brinquem e se desenvolvam plenamente.

O Dia de Aprender Brincando é uma mobilização mundial que pretende promover tanto a brincadeira como o aprendizado fora da sala de aula. Inscreva a sua escola e participe.

“Cidade Educadora reconhece nas crianças, em suas múltiplas formas de expressão e linguagem – e brincar é a forma como a criança melhor se expressa -, um importante agente de transformação dessa cidade. Por isso, ela fomenta espaços de escuta ativa e participação social de meninos e meninas no seu dia a dia”, descreve Raiana.

As experiências que existem no Brasil, na Argentina, na Itália, na Espanha e em outros lugares do mundo demonstra que a criança, enquanto sujeito de direito, está plenamente apta a manifestar para um gestor público, por exemplo, o que falta em seu bairro para que ela possa brincar melhor.

Veja cinco pontos que exemplificam a importância e os desafios do Dia de Aprender Brincando:

1 – Alçar a brincadeira ao patamar de importância que ela deve ter em nossa sociedade. Ou seja, sensibilizar pais, mães, professores/as, educadores/as sociais, gestores/as públicos, médicos/as, profissionais da comunicação, entre outros, para a relevância do brincar na vida e no desenvolvimento das crianças.

2 – Cultivar essa reflexão mantendo-a viva no cotidiano veloz e apressado das cidades, porque é bem provável que – diante das demandas diárias – a brincadeira real seja esquecida e deixe de ser uma prioridade.

3 – Reconhecer e valorizar os benefícios que o brincar traz para as crianças, sejam eles sócio-emocionais, físicos ou cognitivos, é o primeiro passo para criar condições para que esse direito se efetive nas famílias, nas escolas e nas cidades.

4 – Articular e mobilizar parceiros que possam assumir seu papel na garantia do brincar às crianças. Se considerarmos que essa é uma responsabilidade complexa e tarefa permanente de nossa sociedade, veremos que é impossível trabalhar sozinho para assegurar tempo, espaço e recursos para que as crianças brinquem livremente.

5 – A escola emerge como um parceiro estratégico desta primeira edição brasileira do Dia de Aprender Brincando. Além de ser o equipamento mais diversificado no Brasil, a escola possui grande legitimidade entre as famílias e as comunidades para levantar essa bandeira. Para isso, entretanto, ela também precisa rever como tem assegurado condições para o brincar.

“Brincar ao ar livre, no pátio, nas praças, nos espaços públicos. Que as crianças tenham a possibilidade de interagir com diferentes linguagens, recursos e possam, sozinhas ou com outras crianças, imaginar, investigar e explorar o mundo que as cerca”, defende Raiana.

*texto por Dalila Ferreira | foto de abertura por Rodrigo Corsi

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