Bairro Amigo do Idoso

Publicado dia 22/11/2016

De que maneira um bairro pode se preparar para a intergeracionalidade? Como criar espaços na cidade dedicados à terceira idade e envolver a população idosa na discussão sobre eles? Uma pista para compreender a complexidade dessas questões pode ser encontrada no projeto Bairro Amigo do Idoso, realizado na Vila Clementino em uma parceria do Centro de Estudos do Envelhecimento da Universidade Federal de São Paulo (CEE-Unifesp), o Instituto de Saúde e a Prefeitura da capital paulista.

Os idosos são hoje o segmento populacional que mais cresce no Brasil. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2012 e 2022, essa população aumentará sob a taxa de 4% ao ano. Traduzindo este dado em números, em 2030, são previstos 41,5 milhões de idosos vivendo no país. Se, em 2010, eram 19,6 milhões, em 2060, serão 73,5 milhões.

Baseado na iniciativa Cidade Amiga do Idoso, da Organização Mundial da Saúde (OMS), o bairro da zona sul de São Paulo foi escolhido para ser adaptado às necessidades dessa população, no que diz respeito à integridade física, emocional e social e à mobilidade do cidadão da terceira idade. O projeto tem o objetivo de estimular o envelhecimento ativo e promover qualidade de vida à medida que os habitantes do bairro envelhecem.

O geriatra Luiz Roberto Ramos, diretor do CEE-Unifesp, que coordena o projeto, afirma que o primeiro passo dado pela iniciativa foi reconhecer aquilo que já existia e aquilo que faltava no território. “Para desenvolver essa noção de bairro amigo, é preciso entender o local para então transformá-lo.”

O projeto então realizou um inventário sobre os serviços públicos das áreas de saúde, educação, meio ambiente, assistência e desenvolvimento social, transportes, obras e vias públicas, segurança e justiça, além de organizações privadas, não-governamentais e comunitárias.

O projeto Bairro Amigo dos Idosos se inspira no Protocolo de Vancouver, desenvolvido para apoiar grupos que querem avaliar características amigas aos idosos de uma determinada localidade, com o intuito de identificar áreas para ação.

“As possibilidades de identificar espacialmente as carências pode gerar importantes impactos no desenho e na focalização de políticas públicas”, acreditam os organizadores do projeto. As informações coletadas passam por um processo de georreferenciamento, e a iniciativa criou um mapa virtual em que se encontram os equipamentos públicos e privados do bairro que estão à serviço da terceira idade.

Participação social

A participação social também é valorizada. Os interessados em participar das discussões são divididos em grupos que dão voz aos idosos, estimulando que eles próprios analisem e expressem sua condição a partir de suas experiências com o bairro.

“Precisamos mudar a atitude perante o idoso”, aponta Ramos. “Todo mundo quer viver o máximo possível e, ao mesmo tempo, fala mal da velhice. A terceira idade precisa ser almejada e valorizada.”

Práticas

Vivó Bairro